A história que eu não conhecia

sexta-feira, 4 de setembro de 2009


Ontem estava pesquisando algumas coisas na internet e descobri duas personalidades interessantes e com ideais bem opostos que nasceram aqui em Jaboticabal: Célia Sodré Dória, mais conhecida como Madre Cristina, e Alfredo Buzaid.

E aproveitando a data de hoje - 4 de setembro - gostaria de lembrar que faz exatamente 40 anos que militantes do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) fizeram o primeiro seqüestro político da história brasileira sendo a vítima o embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick. Ou seja um a vida de um diplomata da maior potência mundial nas mãos de jovens estudantes. Os 12 seqüestradores trocaram o embaixador por 15 presos políticos vítimas do regime militar, e que assim como a maioria eram torturados diariamente, chegando a perderem suas vidas,ou até mesmo ficando com seqüelas. Os mesmos aterrissaram no México na manhã do Domingo, dia 7 de setembro.

Em homegem também a isso, escrevo este texto com algumas curiosidades e uma história da mesma época, o Regime Militar Brasileito, porém com relação aos Jaboticabalences que estavam envolvidos, seja na repressão ou na resistência.

Madre Cristina nasceu em 1914 em Jaboticabal e faleceu em 1997 em São Paulo, foi uma religiosa católica brasileira, cônega da congregação de Santo Agostinho, educadora, psicóloga, fundadora e diretora do Instituto Sedes Sapientae (em latim, sede de sabedoria). Sua atuação política se destaca pelo fato de ter tido participação ativa na resistência ao regime militar, na campanha da anistia política e na organização de movimentos sociais.

Célia era uma garota diferente, Influenciada pelo pai, um advogado com formação católica e militante na política, a menina desde tenra idade demonstrou interesse por política e preocupação com as desigualdades sociais, o que, na época, causava estranheza, pois as mulheres nem sequer tinham o direito de votar.

Em sua opinião, Cristo foi um revolucionário, que se encarnou para construir a Terra. Para ela a Igreja ou é revolucionária ou não é cristã. Em 1958, de volta ao Brasil, com ideais de transformação social e política, ajudou a reorganizar a Juventude Universitária Católica (JUC), que passou a ter uma atuação mais incisiva na área política

Foi Madre Cristina que lançou a candidatura vitoriosa de José Serra, então estudante de engenharia, para a presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE). Apesar da militância política, não deixou de trabalhar como psicoterapeuta e professora., tendo sido pioneiro no Brasil seu trabalho nas áreas do psicodrama e da psicoterapia de grupo.

Na fase mais dura do regime militar, transformou parte de sua clínica na capital paulista em alojamentos para abrigar perseguidos políticos. No mesmo local, passou a funcionar de fato a sede da UNE, pois ali despachava regularmente José Serra, também procurado pelos órgãos de repressão. Com isso, entrou na mira, não só da polícia política, como era previsível, mas também de setores conservadores da Igreja.

No governo Médici (1969-1974), vários presos políticos foram torturados para confessar alguma ligação de Madre Cristina com suas organizações clandestinas. Mas a freira comunista, como era chamada pelos defensores do regime, nunca chegou a ser presa ou sofrer alguma represália mais séria, apesar das constantes ameaças de morte que recebia.

Outra personalidade política influenciada pelas idéias de Madre Cristina é Marta Suplicy, que foi sua aluna. É de iniciativa de Marta, quando deputada federal, a criação de um prêmio com o nome da cônega para realizações na área dos direitos humanos.

Já Alfredo Buzaid, tem uma história totalmente oposta a de Madre Cristina. Nascido também em Jaboticabal no ano de 1914 e morto em 1991, Buzaid ficou conhecido por ocupar o cargo de ministro da justiça no Governo Médici, ou seja no mesmo em que presos políticos eram torturados para alegar confessar alguma ligação de Madre Cristina nas organizações clandestinas.

Foi responsável por inúmeras censuras em jornais durante o regime militar, principalmente quando se tratava de religiosos, como bispos, e frades pois eles tinham atitudes segundo ele “Impatrióticas”. Ficou conhecido também pela ridícula frase : “Não há tortura no Brasil”.

Também disse que o governo deveria “exercer pressão sobre a igreja a fim de fazer calar Dom Helder”. Dom Helder Câmara foi um grande defensor dos direitos humanos durante o regime militar brasileiro. Pregava uma igreja simples voltada para os pobres e a não-violência. Por sua atuação, recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais. Foi o único brasileiro indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz.

Cursou o primário e o secundário no Ginásio de São Luiz de Jaboticabal, concluído em 1930. Ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1931, bacharelando-se em 1935.

Além do curso de direito, dedicou-se também ao jornalismo, escrevendo para o jornal “O Combate” e, após, para a Gazeta Comercial, da qual chegou a ser diretor.

Em 1966, assumiu o cargo de diretor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Em 1969, foi nomeado vice-reitor da Universidade de São Paulo.

Em outubro de 1969, foi nomeado Ministro da Justiça Permaneceu no Ministério da Justiça até 14 de março de 1974.

Seu filho, Alfredo Buzaid Júnior, o Buzaidinho foi apontado por algumas testemunhas como suspeito de envolvimento no Caso Ana Lídia em 1973. Na época ele tinha 17 anos e era conhecido como “Buzaidinho”. Ele nunca chegou a ser indiciado. Convocado para depor como testemunha, ele nunca compareceu ao Tribunal de Justiça de Brasília. Em novembro de 1975 aos 19 anos morreu em um acidente de automóvel quando voltava de uma corrida automobilística entre Ponta Grossa e Piraí do Sul, no Paraná. Chegou-se a suspeitar de que sua morte seria uma fraude. Mas em julho de 1986, seu corpo foi exumado e confirmou-se que ele estava morto.

Nas vésperas da “independência” do Brasil, achei interessante buscar esses nomes que fizeram parte de nossa história municipal e nacional. Mesmo porque, não devemos nos esquecer daqueles que buscaram mudanças para as vidas dos cidadãos de bens e as conseguiram, e nem mesmo daqueles que tiveram a infelicidade de serem os “mensageiros do terror”, em uma época que armas e tortura valiam mais do que palavras.

Isso nos mostra que há muitos anos nossa cidade é mãe de filhos que nos trazem orgulho, e servem de exemplos para nossas vidas, e também de outros que poderiam ser nomeados de “monstros” pelos seus atos desumanos e imperdoáveis.

Por fim, hoje deixo um convite para que visitem a pagina de Madre Cristina que acredito que a maioria de nós seus conterrâneos ainda não tínhamos conhecimento.

http://www.madrecristina.org.br

"Se eu dou comida a um pobre, me chamam de santo, mas se eu pergunto por que ele é pobre, me chamam de comunista."
(Dom Helder Câmara)

Fontes: Wikipédia
Linha direta Justiça
Faculdade de Direito de São Paulo

3 comentários:

nereu rodolfo krieger da costa disse...

Interessante o seu artigo, sugiro que conheça a historia de Joaquim Camara Ferreira, conhecido como Toledo ou o Velho. Voce vai descobrir mais fatos envolvendo pessoas de Jaboticabal na Luta Armada.

Anônimo disse...

Parabéns Ariel pela excelente matéria. Ao pontuar extremos de Buzaid e Madre Cristina, fazes com que observemos nossa classe política, mais para a repressão do que para a reflexão, para gozo de privilégios, do que para serviço e apoio às manifestações populares. Veja a questão das garrafinhas que vereadores como Nereu (Um Médico, frente a um "menino", um munícipe?) ironizou tuas denúncias e coragem oferecendo a ti a cada momento da conversa uma água gelada de "seu" gabinete. A situação do abusivo aumento da conta de água em nossa cidade, qual vereador tomou iniciativa. O caos da ausência de planejamento em nossa cidade. Quem consegue circular, levar seus filhos à escola sem irritação? Sem perguntar-se: esses caras são burros? Qual vereador tem verificado os gastos com esta empresa? Gouveia pareceu-me o único a preocupar-se. Mas qual foi verificar os gastos, se esses contratos foram aditados, se cumprem o planejamento. Procurem, fiscalizem, denunciem ao MP, os Procuradores estão a serviço de nossa comunidade, são pessoas íntegras, podem ajudar "Nobres Edis". Ariel, por tua integridade, por tua firmeza e nobreza de espírito que comemoras 1.000 acessos em teu blog. Certo que faz respingar sobre eles aquilo que tua mosca descobre: a maioria suja a vida pública de nossa cidade.
Parabéns. Prof. Gilberto.

Vera Regina Fonseca disse...

Parabéns, Ariel! Li apenas hoje fevereiro de 2010 esta página. Gostei muito da lembrança de Joaquim Câmara Ferreira, feita no comentário de Nereu. Gostaria de comentar com vc que meu pai Waldemar Bernardes Fonseca, primo de Joaquim C. Ferreira e amigo da querida Madre Cristina, integrou a primeira câmara constituinte de Jaboticabal, no final da década de 40. Waldemar sempre lutou contra as injustiças sociais com muita coragem e ética. Anos atrás recebi um documento político interessante do jornalista conterrãneo, Coutinho. Era um manifesto AO POVO DE JABOTICABAL denunciando as agressões recebidas por meu pai, partindo de um grupo de integralistas da nossa cidade, Jaboticabal. Pessoas como Madre Cristina e tantos outros merecem ser lembrados por todas as gerações. A memória é curta Ariel, parabéns! Vera.

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